Um Lamborghini com faróis de Nissan, um McLaren com retrovisores de Volkswagen e um Jaguar com comandos de Ford: componentes de marcas conhecidas também fazem parte de supercarros. Segundo o site Jalopnik, compartilhar peças permite dividir os custos de desenvolvimento por um número maior de unidades.
Isso pode incluir até o motor. Dentro do Grupo Volkswagen, Lamborghini Urus, Porsche Cayenne, Bentley Bentayga e Audi RSQ8 usam versões do mesmo V8 biturbo de 4 litros. Nos cinco modelos a seguir, a origem dos componentes inclui carros de outras marcas, um ônibus e até aeronaves. O DCM também noticiou um acidente com Porsche em São Paulo.
1. McLaren F1: lanternas de ônibus nos supercarros
Projetado por Gordon Murray e apresentado em 1992, o McLaren F1 tem três assentos, com o motorista no centro. Seu motor BMW Motorsport S70/2 é um V12 aspirado de 6,1 litros, com 627 horsepower. Já as lanternas traseiras vieram de um ônibus rodoviário Bova.
A McLaren escolheu essas lanternas por acreditar que a fabricante TVR, que também as utilizava, havia homologado as peças para uso rodoviário. O relato informa, porém, que a TVR não havia feito essa homologação.
Os retrovisores vieram do Volkswagen Corrado, enquanto outros carros forneceram comandos. A limitação do orçamento para desenvolver peças próprias levou a McLaren a essas escolhas.
2. Lamborghini Diablo: faróis do Nissan 300ZX
Lançado em 1990, o Lamborghini Diablo abandonou os faróis escamoteáveis, que ficam recolhidos quando não estão em uso, em 1999. No lugar deles, recebeu os faróis do Nissan 300ZX.
Uma faixa de fibra de carbono na parte superior escondia o logotipo da Nissan. O DCM também mostrou os planos da Nissan para lançar cinco carros no Brasil.
O youtuber Rob Dahm, que também foi proprietário de um Diablo, comparou um farol Nissan com o para-lama do Lamborghini e constatou que a peça encaixava. O compartilhamento também chegava aos comandos: as alavancas de seta eram usadas nos Alfa Romeo 164 e Spider.
3. Pagani Zonda: controles de Rover e Mercedes-Benz
Os controles do ar-condicionado do Pagani Zonda de 1999 vieram do Rover 45.
O painel de instrumentos também tinha origem em outro carro: era uma versão modificada do conjunto utilizado no Lancia Ypsilon.
Durante uma avaliação do Zonda LM de 2015 feita pela Top Gear, um comando do sistema de controle de tração, identificado pela sigla ASR, falhou. Os avaliadores reconheceram a peça como um componente padrão da Mercedes-Benz.
4. Jaguar XJ220: lanternas de Rover e retrovisores de Citroën
O Jaguar XJ220 compartilhava lanternas traseiras com os Rover 200, 214 e 216. Os retrovisores eram os mesmos do Citroën CX, enquanto comandos e alavancas de seta vieram de modelos Ford.
A Jaguar apresentou inicialmente o projeto com motor V12, mas adotou um V6 biturbo. O V6 era mais leve, ocupava menos espaço e entregava potência comparável.
A reportagem relaciona sua origem ao motor do MG Metro 6R4, um carro de rali.
5. Vector W8: componentes de corrida e de aeronaves
A publicação Car and Driver descreveu assim o motor do Vector W8, em declaração reproduzida pela reportagem: “Um Chevy de bloco pequeno preparado para corrida, montado por um subcontratado com componentes de primeira linha do mercado de reposição.”
A transmissão veio do Oldsmobile Toronado e foi modificada para funcionar com tração traseira. Componentes da suspensão dianteira eram peças da Grand National da NASCAR, competição automobilística.
Na cabine, interruptores quadrados iluminados, saídas de ventilação e disjuntores rearmáveis por botão eram componentes aeronáuticos. Ao avaliar o W8, Doug DeMuro comentou sobre a chave: “Apenas uma chave comum da General Motors dos anos 1980.”
Em 1994, a empresa Megatech já havia assumido o controle da Vector e da Lamborghini. O modelo seguinte da Vector, o M12, foi construído sobre o chassi do Lamborghini Diablo.
